Feirantes mostram resistência

Ao que parece a mudança do local tanto da Feira Livre como da Feira da Lua na Avenida Oliveira Motta, em Santo Antônio da Platina, levará certo tempo para que seja bem assimilada. Se, por um lado, há feirantes que se manifestam indiferentes, outros, questionam o deslocamento e apontam a necessidade de reorganização das feiras, mas não troca de lugar.

Segundo o responsável pelo departamento municipal de Fiscalização de Obras e Postura, servidor de carreira, Janderson Antônio Figueredo, que tem curso de especialização de Técnico Agrícola, e é o encarregado de fiscalizar o segmento, uma primeira reunião foi realizada pela Prefeitura com uma comissão dos representantes de todos os feirantes, na qual foi passada que “as feiras atualmente podem ser consideradas clandestinas e irregulares” e que há necessidade de suas regulamentações através de uma lei que discipline e organize-as num espaço público que não prejudique de modo geral o ir e vir dos condutores de veículos e favoreça o bom trabalho dos feirantes.

O fiscal ressaltou que dentro de pelo menos 15 dias um projeto de lei que trata do assunto estará pronto para ser encaminhado para o Legislativo. “O esboço do projeto já está no arremate final”, disse, ressaltando que neste documento estará bem claro “quem pode comercializar, o que pode ser comercializado e onde será comercializado”. Outra preocupação que a nova reestruturação das feiras apontará diz respeito à padronização das barracas, setorizar a praça de alimentação, a venda dos produtos derivados de terminado produto, como o milho, por exemplo, o comércio de olerícolas.
A Feira Livre é realizada nas manhãs e início da tarde dos sábados e, segundo Janderson, a média é de 175 barracas, número bem menor do que ocorre na Feira da Lua, que começa por volta das 13h e se estende até aproximadamente 22h30, que é de mais ou menos 60 barracas, deste total, apenas 40% são feirantes de Santo Antônio da Platina.
Um dos motivos que leva as feiras a serem transferidas de local é o posicionamento no centro da cidade, próximas à Escola estadual, Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei), Fórum, Câmara Municipal, acesso às agências bancárias, enfim, muitos apontam que há um ‘estrangulamento’ no trânsito o que dificulta a locomoção dos veículos em horários movimentados do comércio que atrai muitas pessoas inclusive da região do Norte Pioneiro.
Frota de veículos
Importantes ressaltar que segundo o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran) a frota total de veículos cadastrados em Santo Antônio da Platina é de 25.614. Somente automóvel de passeio são 13.206 e 5.731 motocicletas, 2.264 caminhonetes, 81 micro-ônibus, entre outras categorias.

Tudo o que está sendo vendido aqui em minha barraca, é 100 por cento de produção nossa, como alface, rúcula,cheiro verde… e pra mim vejo que não compensa mudar de local, somos contra, o correto é padronizar as barracas. Há uma grande maioria de barracas de fora e algumas barracas atingem mais de 15 metros de comprimento”

Além deste montante de veículos há centenas que se deslocam da região para as compras nas segundas-feiras, sextas-feiras e sábados, o que torna o trânsito ainda mais movimentado, consequentemente, mais lento aumentando congestionamentos. Já a população atual do município platinense é de 42.707 pessoas segundo Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, estimativa de 2016 em 45.562 habitantes. Diante desta realidade, onde se realizam as feiras na Avenida Oliveira Motta, entre as Ruas Coronel Joaquim Rodrigues do Prado e Coronel Capucho a prefeitura e diversos segmentos da sociedade defendem a iniciativa de sua transferência de local que está previsto para acontecer até o final do mês de abril, se instalando na mesma Avenida, porém, defronte ao prédio da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), entre as Ruas Arthur Franco e Joaquim Ribeiro, proximidades do Cemitério Municipal São João Batista e não na via à frente do cemitério e, sim, do outro lado, como ocorre no Dia de Finados.
Feirantes questionam
Para o produtor rural platinense João Carlos Melo, que há dez anos participa das feiras comercializando seus produtos, reconhece que nada está sendo forçado e que, por enquanto, há um consenso para a necessidade de regularizar a situação das feiras e dos feirantes.

“Não há dúvida que a regularização das feiras é necessária e há muitos anos não existe a devida fiscalização por parte da Prefeitura e quem tem interesse não pode apresentar decisão precipitada”. Segundo ele a mudança do local das feiras tem resistência de muitos feirantes que não aprovam e ressaltou a importância de diminuir as barracas de fora do município principalmente as que ocupam grande espaço nas feiras.
Nilva de Souza, de Jundiaí do Sul, tem uma barraca que comercializa espetinhos. Há quatro anos participa das feiras e reconhece que o horário atual de início da Feira da Lua é questionável. “Meu produto se consome mais no início da noite e entendo que se justifica a necessidade da feira da terça-feira começar às 17h”.

Tudo o que está sendo vendido aqui em minha barraca, é 100 por cento de produção nossa, como alface, rúcula,cheiro verde… e pra mim vejo que não compensa mudar de local, somos contra, o correto é padronizar as barracas. Há uma grande maioria de barracas de fora e algumas barracas atingem mais de 15 metros de comprimento”
André Pedro de Godói Campos tem 28 anos de idade e, segundo ele, sua mãe já fazia feira, então são 30 anos participando da Feira Livre. Ele mora no bairro rural de Santa Joana. “Mais de 60% do que vendo aqui na minha barraca é produzido em nossa propriedade”. Ele se encontra um pouco receoso quanto à mudança de local. “Realmente no começo todos nós vamos estranhar, feirantes e clientes e penso que pode ocorrer uma queda considerada nas vendas”.
Alessandro Pereira, morador do bairro rural do Barreirinho, há 15 anos participa da Feira Livre. “Tudo o que está sendo vendido aqui em minha barraca, é 100 por cento de produção nossa, como alface, rúcula,cheiro verde… e pra mim vejo que não compensa mudar de local, somos contra, o correto é padronizar as barracas. Há uma grande maioria de barracas de fora e algumas barracas atingem mais de 15 metros de comprimento”.
O produtor rural do bairro São Joaquim de Baixo, Edivaldo Moreira comercializa milho, mandioca, quiabo, batata, 100% produção própria. Para ele a mudança é questionável. “Vejo que para nós feirantes a mudança é ruim, pode prejudicar muito o futuro da feira porque perto do Cemitério não é certo ainda mais no período de calor devido aos mosquitos”.

E acrescentou: “A Prefeitura precisa é organizar as barracas com tamanhos padronizados como ela mesmo mencionou que é de 2, 4 e 6 metros e que não se deve tirar as barracas de fora, só organizar, fiscalizar e concordo que a Feira da Lua comece, por exemplo, após as 16 horas”, esclareceu Moreira.
Hélio da Silva, que há oito anos participa da feira vendendo produtos importados, afirma que “a mudança é ruim e, tirando daqui, muitos feirantes vão perder seus clientes”. Para ele os consumidores serão muito prejudicados e justifica sua posição: “Normalmente os clientes já acostumam com a localização das barracas onde habitualmente fazem suas compras”. No que diz respeito aos feirantes de fora ele falou que “não penso que os produtores de fora devem ser afastados. Ninguém em Santo Antônio da Platina vende peixe, o que há é porque vem de fora; por isso é que ela é considerada a melhor da região. Eu já montei barraca em feiras em Ourinhos (SP), Cambará, Jacarezinho, Ribeirão Claro, Joaquim Távora, Abatiá, Bandeirantes e a nossa é melhor que todas as outras”.

Walmir de Godói é apenas revendedor e defende o posicionamento de Hélio Silva. “Afirmo que na região não há uma feira tão boa e diversificada como esta. Há 35 anos estou aqui, comecei bem pequeno na feira e revendo todos os produtos”.
Outro feirante que falou com a reportagem do npdiario foi Israel dos Santos, do bairro rural de São João do Ribeirão Bonito. Ele tem barraca na Feira Livre há 19 anos vendendo milho e derivados como pamonha, bolo salgado e doce, curau, 100 por cento de produção própria. Todos os produtos são bem embalados, mesmo assim, se preocupa com a localização da feira próxima ao Cemitério. Ele, que faz parte da comissão de feirantes que esteve reunida com os encarregados da Prefeitura, não concorda com a mudança de endereço. “Este local já é tradição. Penso que vai prejudicar a todos porque não há feira igual à nossa, ela precisa é ser melhor organizada e que haja fiscalização, isso todos nós concordamos. Inclusive já falei com o Chico da Aramon(vice-prefeito) que um dia só na semana – se referindo à terça-feira – não vai prejudicar tanto os motoristas e pedestres”. Ao se ferir a organização da feira ele concorda com a padronização do tamanho das barracas sugerida pela Prefeitura e levada ao conhecimento da comissão.

“Disseram da intenção de barracas de 2, 4 e seis metros, isso ajudará muito padronizando os espaços e todos nós estamos de comum acordo, assim ficam mais bem alinhadas as barracas, não haverá mais carros, assim como o entra e sai de veículos com as estruturas das barracas prejudicando os consumidores que precisam desviar dos veículos sem contar que as pessoas terão mais espaço para andar e, quanto ao horário tanto eu como a comissão acreditamos que 16 horas é bom para começar a funcionar a Feira da Lua”.
Odivan Antônio Yaros, que também está há 19 anos na feira, disse que de 15h às 15h30 já poderia começar a montagem das barracas. Ele arrenda uma área próxima à propriedade de João Manco onde planta verduras e vende 100% de produtos que produz.
Opinião dos clientes
Para a consumidora T.T. a atual localização da feira é mais indicada. “Acho melhor aqui mesmo e não sou a favor da mudança”. Já o senhor C.M.P. entende que os carros ficam prejudicados de circular. “Acho péssimo onde está a feira”, afirmou ele. Para a cliente S.E.B., moradora do Jardim Bela Vista, o local onde se pretende levar as feiras “é um bom lugar, mas, para mim, a mudança tanto faz”.

J.B.G. ressaltou que “prefiro que não saia deste local, aqui está perto da Igreja – se referindo à Matriz – perto dos bancos, farmácias e das lojas então é mais prático”.A consumidora EdinéiaLevatti, apesar de não concordar com a mudança da Feira Livre entende que o trânsito fica bem confuso com a feira. “Aqui onde está é melhor porque estamos bem mais perto de muitos pontos comerciais e facilita, mas como tenho o carro, eu vou fazer a feira em qualquer lugar onde ela esteja, mas para muitos é complicado”.

Texto e fotos: Fábio Galhardi/Especial para o npdiario

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